Consciência Negra

Por Max Moreira

O Continente Africano é o berço da humanidade, solo pioneiro que recebeu há 100 mil anos o homo sapiens primitivo, desencadeando miríades de novos povos e etnias por todo o planeta.  A justificativa do mesmo ancestral humano se perdeu no tempo e na história e as nações criaram seus mitos fundadores, classes sociais, castas e a propriedade privada. O desenrolar destes fatores para a humanidade resultaram em um problema que assola a tudo e a todos: a diferença. A diferença polariza, escraviza, explora, segrega, impõe, mata. Somos condicionados a sermos diferentes e superiores em detrimento do outro, e as guerras são a maior prova desta afirmação, pois tentam justificar a supremacia de uma nação em relação à outra, não importando os meios.

As lutas étnicas no continente africano tinham como resultado também a escravidão, mas não na intensidade e quantidade em relação à diáspora africana, formando o pilar central da construção das Américas. A escravidão, justificada pela superioridade, forjou nos livros de história um dos episódios mais sombrios da humanidade. Imagine: você sendo tirado de sua terra, de sua família, de seus filhos e ser forçado a estar em um lugar desconhecido, sofrer maus tratos e com uma imensurável saudade da vida antecedente? Seria possível nomear este sentimento? Este sentimento se chama “banzo”, e era comumente confundido com a preguiça, o que motivava muitos escravos a fugirem ou tirarem as próprias vidas.

O Brasil, espaço deste episódio tão marcante na história da humanidade, teve seus territórios desbravados e riquezas exploradas pelas mãos não só dos negros, mas também dos indígenas.  Os negros, ao contrário dos indígenas, quase não resistiam, pois estavam longe de casa e abalados psicologicamente, não conheciam o território e constantemente sentiam o banzo. Esses fatores facilitaram a escravidão no Brasil com um contingente negro inquestionavelmente maior no período colonial. Assim, a nação brasileira contemporânea começava a se formar com a mão de obra mais lucrativa e barata sendo espalhada por todas as regiões do país. Se fixar e se adaptar não era uma opção. Por esta falta de opção se iniciam também os grupos familiares, a preservação da cultura africana raiz, sua religiosidade e resistência. Com o passar dos anos estes grupos crescem, se estruturam e se misturam com os índios e os brancos, consolidando a diversidade étnica brasileira.

Em Goiás, com a febre do ouro, escravos foram trazidos e assim como as demais regiões brasileiras, se estabeleceram, modificando a cultura local. As expressões culturais negras e seus saberes se tornaram fortes e são parte da cultura goiana em diversos municípios e suas festividades. E o que tudo isso tem a ver com o Dia da Consciência Negra? O dia 20 de novembro que está em nosso calendário escolar, nos faz refletir sobre a morte de um dos maiores símbolos da luta contra a escravidão, que foi Zumbi dos Palmares e como os seus ideais ainda se fazem pertinentes. Através do Projeto de Lei 10.639/03 que instituiu o ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, podemos compreender melhor os tortuosos caminhos percorridos na formação de nosso povo e cultura, negados historicamente, para sucessivamente serem bem vistos e respeitados como qualquer outra manifestação cultural ou religiosa e que apenas soma na riqueza de nosso povo, trilhando o caminho para o fim dos preconceitos.

Somos apenas uma raça, a humana e o Brasil é um caldeirão de culturas, onde a multiculturalidade nos torna unidade e a diferença para nossa nação é o que nos torna complementais.

Sinpma – Sindicato dos Professores da Rede Municipal de Ensino de Anápolis

Nenhum de nós e tão forte como todos nós juntos!

Filiado a:

Links úteis:


Assine nossa newsletter